Uma breve: História de Amor (2)

    Em tudo que compartilho aqui, onde muitos chamam de mural das lamentações e eu enxergo uma possibilidade de atingir corações, eu preciso de um estopim, uma lâmpada do Inspetor Bugiganga, um estalo do Dr. Emmet Brown, um plano de dominação do mundo para o Cérebro compartilhar com o Pink. Isso sempre acontece e sempre aconteceu de forma natural e de fato, não planejada. Dessa vez foi com uma música do grandioso Mestre das canções que fazem pensar, da voz inconfundível Eddie Vedder.

    Então, com resquícios do espaço de sabedoria criado pela letra de Society, eu continuo a última história daquele casal, que por mais anônimo que seja, aqui na cabeça de quem lê a garota fascinante e desavisada e o garoto inteligente e amoroso, tomam forma e ganham vida e faces que apenas cada um pode descrever. Como, comentei no post anterior, essa é a parte mais legal de ver a reação dos leitores. Para quem não sabe como a história está, por favor leia o último post.

...ao fim do show o seu coração pulsava tão forte que fazia seu pulso bater. Era um misto de excitação, adrenalina e felicidade. Ele em seu mundo de batata-palha, já começa a pensar em como unir as palavras e chega a: Felicidrenação.

    Passam algumas semanas e eles não se falam. Não como antes. As conversas sobre séries, os compartilhamentos de segredos na linha do tempo da mente dos dois unidos por um sentimento mútuo de confiança, a troca de likes que havia entre os dois em meio a qualquer história que fazia ela sorrir ou que fazia ele se exaltar, tinha acabado. Por essas semanas não existia mais. Isso deixava aquele menino moço, com um leve vazio em várias partes. E digamos leve porque ele sabia que o peso nunca é igual a massa. No meio dessa brisa leve que faz ele pensar naquele beijo bem mais do que gostaria, ele recebe um convite de um dos seus melhores amigos para uma janta, e sem se dar conta que ela também vai, ele aceita.

    Ele chega na casa do anfitrião, uma rua monótona e escura com poucas casas e um prédio em meio a alguns terrenos baldios, sem sons adjacentes ao cenário, ele estaciona o carro e para no portão esperando que alguém o veja, visto que no lugar não há uma campainha. Na casa, há diversos barulhos e falatórios, mas ao ouvido dele o que se destaca são os risos quase que propriamente patenteados por ela. Um filme passa em sua cabeça, ele sente um calor subir pelo corpo se dando que ela está lá, alguém está vindo abrir o portão ele NÃO TEM COMO ir embora, começa a ter tremores e fica nervoso, seu amigo pergunta o que houve e em um lapso de criatividade (o que nunca jamais faltou nele), ele olha para o carro e percebe uma lanterna quebrada (pelo guarda-chuva de um mendigo, outra história) e ali ele olha para o amigo e diz:

 - Cara, no caminho para cá uma criança correu para a rua e eu tentando desviar raspei em uma árvore.

 - Caramba! Ta tudo bem?

 - Sim. Só fiquei nervoso.

 - E com a criança?

 - Tudo bem, não encostei nela.

 - Bom.. entra aí meu, toma alguma coisa que tá tudo certo.

    Ele seguiu o conselho do amigo e após cumprimentar as pessoas, ele começou a tomar suco de laranja. Em uma conversa com o amigo que sabia de tudo, sentados no sofá eles conversavam sobre o show e tudo o que houve. Inesperadamente, ela chega e senta ao lado dele. Seu amigo se retira gentilmente, e com ela dando um beijo no rosto dele, eles começam a conversar:

 - OI! Tudo bem contigo?

 - Tudo.. (achando engraçada a abordagem dela).

 - Cara, eu vou ser direta talvez como nunca fui. OK?

 - Sim, por favor. (ele gela e pensa que seu coração vai sair voando)

 - Aconteceu tudo no show, eu adorei ficar contigo. Mas tem uma frase que não sai da minha cabeça. Tu vai lembrar melhor que eu.. "Eu não vou suportar.."

 - "ficar sem te beijar todos os dias". (completando a frase por ela).

 - Isso. Então, tu gosta de mim?

 - Não. Acho que gostar não define. Eu gosto de bolo, de assistir series e de tocar. Mas eu penso em ti sempre, como se eu quisesse te ver feliz o tempo todo. Só pra que nos momentos que tu não esteja feliz eu possa ser o teu colo. Eu vou recitar uma frase de um artigo que li, após uma das nossas conversas de madrugada:

"Subi a porta e fechei a escada. Tirei as minhas orações e recitei meus sapatos. Desliguei a cama e me deitei na luz. Tudo porque, ela me deu um beijo de boa noite". E sim, eu quero ficar contigo.

 - Era só o que eu queria ouvir. (ela responde sorrindo abertamente, com uma lágrima saindo do olho esquerdo)

    Eles se encontram com suas testas e narizes, seguram um o rosto do outro e dessa vez ele, que por mais nervoso que estivesse, conduz o beijo ali na frente de todo mundo. Esse dura bem menos que o último, mas a intensidade colocada sela de todas as formas, a vontade de haver amor dentre aquelas duas pessoas.

 - E agora.. (ainda com os rostos colados, ela pergunta) como vamos levantar? E o pessoal?

 - Tu ouviu a música que te mandei antes do show?

 - Aquela do cara do Ukulele?

 - Isso hahahahaha! (ele responde rindo muito)

 - Ouvi, é muito boa! Típico de ti aquela música.

 - Então, quando a galera falar sobre nós, vamos lembrar da letra:

"Society, crazy indeed hope you're not lonely without me". Nós não fazemos parte do mundo que todos vivem, nós vivemos o mundo que todos fazem parte. Nossos amigos sabem disso.

 - Tá bom então Mr. (agora de fato chorando ela fala). No três?

 - Sim!

 - Um. (ela)

 - Dois.. (ele)

 - Três... (eles)

    Quando os rostos se afastam, é como se na cabeça dos dois virasse a página para uma nova história. Uma nova parte da vida, aquela que para eles dois poderia se chamar "Felicidrenação". Sobre os amigos? Todos entenderam, aceitaram e passaram a conviver com eles, ao invés de com ele e com ela. Porque afinal, eles são todos, amigos.

    Agora, aos que lerem esse post, tentem lê-lo com o seguinte adereço: (pensei muito nisso quando escrevi) Tentem ler tudo com a dicção e a voz, do narrador da versão dublada do filme Desventuras em Série.

Comentários

  1. Ahhhhhh genteeeeee...🥰
    Só pensei depois na Trilha sonora de Into the Wild.... Manooooo! ❤️

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    Respostas
    1. Mas me diz que não tem tudo a ver com isso? A liberdade, a vontade de ser e não se preocupar.. Society é a música pra isso! Fora que Into the Wild da uma leveza pra alma que da vontade de fazer igual hehe

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