Pego
Eu pego, tu pegas ele pega. Todo mundo vai. Peguei, pequei e não importei. Estou com um malware no meu corpo que coloca em xeque todos os antivírus que eu já tentei usar e também questiona todas as vezes que eu não usei. O problema mesmo é o psicológico, que não nos deixa em paz dentre as milhões de versões possíveis do que poderia ter sido uma vez, não foi e agora não será para toda a eternidade. Eu sempre me questionei se é melhor se arrepender do que se fez ou do que não se fez, mas agora não sei mais. Talvez no fundo eu me arrependa de ter questionado. Afinal, é melhor pedir perdão do que permissão, neh?
Os mais imperceptíveis musculinhos da face agora se contorcem como se você estivesse aderindo a loucura interior de ficar isolado. Em toda o tempo de sua existência a sua única resposta para a tristeza foi: nenhuma, o vácuo ou um baú tão fundo que nem o Woody iria encontrar o caminho de volta. Mas agora, tudo é diferente. Agora não há a opção de correr, apenas de ficar, sentar, deitar e esperar completamente impotente, lunático e ansioso pelo fim de um ciclo que nem deveria ter começado. Muitos alvos de culpa brotam na sua imaginação nesse momento, mas abruptamente desaparecem porque a resposta para a culpa tem nome com as respectivas, quinta e vigésima letras do alfabeto.
O desafio agora, além de apagar a luz e esperar o Cinzento se tornar o Branco é não aderir a loucura interior, as vozes que se criam no silêncio desesperador da sua cabeça. Mas também tem uma, é louvável o esforço que os combatentes da infantaria estão propondo a si mesmos nas lutas diárias por uma nação que morreria escrava mui facilmente. Crise é um estado de calamidade, não uma realidade. Se for que seja crise de risos.
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