Relação de Confiança

    Eu já falei aqui anteriormente que fiz parte da COVIDemia. Sim, claro. Todos fizemos, até porque não tem ninguém lendo esse blog de Saturno. Eu acho. Que tal seria isso? Bom, pra ti que tá lendo de Saturno e obviamente entende  Português e suas regras megalomaníacas, vida longa e próspera. Mas além de estar nesse momento que até a galera de Saturno se encontra, eu fui acometido pelo bichinho maldito que anda por aí tirando sarro de quem não quer estar com a máscara social que hoje em dia, tem cores, formatos e quando a gente tira parece que estamos respirando novamente. A máscara sempre existiu. Eu não consigo achar que alguém que enfia a cabeça em um vidro de Nutella faz isso porque é legal. Mas esse post, não é sobre isso. E inclusive a inspiração desse post é uma história de amor que nunca aconteceu e sinceramente eu não sei se um dia vai.


    Como eu comecei falando quando eu mesmo me embrenhei nas nuances da minha própria falta de atenção, eu estava comentando que desde que positivei eu estou em casa, enclausurado. E uma coisa que eu gosto muito de fazer é descer até o lobby (sei lá o nome disso em português) do meu prédio e ficar ali, sozinho. Sentindo o ar na cara, olhando a luz do dia se esvair, pensando em como uma coisa que a vida toda foi muito simples tipo andar na rua, pode fazer tanta falta na vida do cidadão. Pois bem, em um desses momentos de devaneio eu percebi que uma história se criou na minha mente sobre um casal.


    Eram novos, não mais do que 30 anos cada um. Ele era muito focado, bastante metódico, gostava de romantismo e demonstrações públicas de afeto mas muitas vezes tinha um certo receio de como aplicar as próprias ideias de fofurices para ela, porque era tanta coisa que passava na cabeça dele que receava não ter tempo para tudo, porque sim, o trabalho era um ponto focal da vida dele. Ela, chegou longe em sua vida profissional muito rapidamente porque era muito inteligente a ponto de deixar "os de cima da média" desconfortáveis, e ainda tinha um sorriso lindo. Absurdamente lindo. Quando ela sorria era tão simétrico que até as covinhas do rosto pareciam entender isso e sorrir também. Ela não era da mesma cidade que ele e até o final do seu sobrenome entregava a colonização alemã de sua cidade natal. Ela trabalhava em uma grande empresa presente em todo o país que cuidava do dinheiro das pessoas. Foi realocada sem mais nem menos para a cidade dele e assim começaram a morar juntos, depois de um longo período namorando a distância. 

Os pais dela? 

Adoravam ele. Sempre exaltaram o fato de enquanto ele "cuidasse dela" daquela maneira, a filha estaria em boas mãos. 

Os pais dele? 

Adoravam ela. Sempre disseram que se o "sorrisão" que ela abria quando estavam fosse sincero, ele estaria em boas mãos. 

    Fizeram planos, traçaram metas, grana não era um problema e tempo para eles sempre era solução. Mas as vezes a vida, não está muito de acordo com os planos que concebemos. E nessa linha de raciocínio, engravidaram. Gêmeos. Um casal. Ele queria chamá-los Luke e Leia. Ela queria Lilian e Tiago. Concordaram então, em Luke e Lilian. Tudo era tranquilo e calmo, nas brigas eles resolviam tudo com listas e diálogos. Ele odiava gritos e ela deboches. A sinceridade só poderia tomar conta da casa. A vida era tranquila, cheia de amor, mas bastante movimentada na rotina pesada de cada um. Além de tudo, eles sabiam que precisavam de tempo um para o outro. E tinham. E conseguiam. Nas sextas a noite, ela sempre esperava ele com algo alcoólico diferente para beber e depois eles saiam para conhecer qualquer lugar novo na cidade. As crianças, ficavam com a vó. Cada sexta, uma diferente. Nos sábados eles bolavam um programa diferente com a turma toda. As vezes viajavam, as vezes ficavam em casa e as vezes faziam os dois. Sempre unidos. E nos domingos, ele sempre acordava ela com café na cama: café-com-leite na xícara, uma fruta (ela adorava morangos) e um croissant de presunto e queijo com doce de goiaba. Sim, ela cresceu no meio dos alemães.


Essa história não tem um final específico. É apenas a vivência de um casal que colocou o desejo de estar juntos na frente de tudo e lidaram com isso. Foram fortes. Foram intensos. Se doaram. Porque afinal, amor e relação é isso não é?



Comentários

  1. <3 sensível, fofo e, claramente, ele gosta de Stat Wars...geek tmb?

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    1. Brigadoooooo <3! Nossa muito, Star Wars fez muito parte da minha adolescência! Sobre ser geek, é uma possibilidade mas não sei se me vejo assim hehe

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