Heart of a Mad Mind
Eu não sei o significado de essência. Mas me parece uma palavra que trata o começo do interior das pessoas. Que descreve o destino, co-agindo com o passado que mostra para que aquela pessoa serve.
Vocação, me parece tão vago. Porque é possível adorar fazer muitas coisas, mas infelizmente, o fato de gostar não faz com que você execute tarefas de forma adequada e bem-feita. Além disso, se você for realmente bom naquilo que faz e não gostar, ser bom não garante que tu serás feliz. Isso foi apenas uma coisa que me passou pela cabeça, enquanto eu sentava para contar o caso do Miguelito.
Miguelito é um jovem de 26 anos que eu conheci há muito tempo e por conta disso, temos nos encontrado com frequência. Poderia eu marcar ele aqui, mas ele não curte essa coisa de redes sociais. (Eu também não, eu queria mais é me desligar de tudo e que o mundo ficasse sem internet por 40 dias) Um cara que está sempre disposto a ajudar os outros, a largar tudo e resolver os problemas alheios sem se importar com o impacto que isso vai gerar, sendo negativo ou positivo (Ele se fode com frequência). Miguelito adora panquecas e sabe que o melhor acompanhamento para qualquer coisa, QUALQUER COISA, é batata-palha (Isso não é surpresa nenhuma). Miguelito é tachado muitas vezes de inocente, por tentar ser puro e enxergar o lado bom de tudo, por mais que seja um tanto quanto mais estressado do que gostaria. E sim, o nome dele é Miguelito Mendes, registrado e documentado.
Mas que venha o caso:
Miguelito: - Matheus, eu tô me sentindo perdido e confuso. Hoje pela manhã, cheguei a conclusão de uma coisa que já notei há tempos.
Imagina o cenário: Tu com uma câmera na mão, no meio de uma plantação gigante de uvas. Tem quatro elefantes vindo na tua direção. Tu percebe que das parreiras estão caindo batatas e tem barulho de motos, mas o céu está amarelo.
Eu: - Isso é realmente específico meu jovem, mas muito engraçado. Tu acordou assim?
Miguelito: - Sim. mas tu sabe que eu já tô nessa tem um tempo. Eu só queria acordar e ter alegria daquele jeito que o cara falou.. Acordar a saber qual é a minha praia, porque se essa é a minha praia porque eu fico tão sem respostas?
O cara que ele cita é o Clóvis de Barros Filho, em uma palestra sobre A Vida que Vale a Pena Ser Vivida. Depois dessa frase, eu fiquei sem ação (falávamos por WhatsApp). Eu odeio WhatsApp mais do que qualquer ferramenta de comunicação, mas não tenho problemas de falar com as pessoas que eu gosto. Não sabia como reagir. Me coloquei no lugar de Miguelito e percebi que não conseguiria trabalhar nessa pressão mental por muito tempo. Percebi ali, que Miguelito está segurando a barra. Mas é complicado.
Loucura mesmo, foi quando eu parei pra pensar nas decisões que eu tomei na vida. Até onde as decisões foram baseadas nos sonhos que existiam? Esses sonhos ainda existem? E o tempo que tu tá gastando para fazer coisas que tu não tem nenhum interesse? É tão rudimentar, pensar que uma decisão de um garoto que sai da faculdade, ou da escola ou que simplesmente precisa escolher uma profissão vai afetar o resto de sua vida toda em suas escolhas e opiniões.
Quem garante que essa pessoa que hoje é cardiologista não seria um completo talento nato em absolutamente qualquer coisa ligada a filtros de gás-carbônico? (Eu não sei nem se existe filtro de gás-carbônico, mas acredito que se eu pensei nisso deve estar por ai).
Em uma entrevista do Rafinha Bastos com o Mário Sérgio Cortella, o entrevistado fala: "A ocasião não faz o ladrão, apenas o revela. Se a intenção de roubar existia é a oportunidade que faz ela vir a tona.". Agora, transporta isso para o cotidiano atual incandescente e aparentemente com um fim longo que nós vivemos.. Porque raios nós vemos mais anúncios de pessoas com tetas gigantes dançando ou mesmo de cenas idiotas que deixaram de ser engraçadas na própria concepção, do que de produtos? E ainda, porque que quando alguém critica isso é preconceito, se o ser que está dançando no vídeo se trata como um atrativo de views?
Tudo soa, como se a pandemia estivesse revelando o gatilho, o ponto fraco para a perdição das pessoas. Talvez, os textos com palavras fortes e mal recebidas (porque as pessoas vem tirar satisfação do que está no blog) seja a válvula de escape deste que vos escreve. Eu chego, inclusive, a me perguntar se o covid é o vírus real ou a mente humana que se declina as ideias mais fantasmagóricas possíveis em troca de redenção própria e absoluta.
Não acredito que a solução seja se contentar. Mesmo. Acho que tem querer se sentir fantástico, excepcional, muito foda ou qualquer outra denominação para a felicidade interior que te faça dar pulos de manhã cedo.
Pra desdramatizar, fica a pergunta: O que é necessário?
Quem responde são os monstros do Oficina G3, mais o alienígena das guitarras Mateus Asato. Sim. A.LI.E.N.Í.G.E.N.A. Não é normal nem desse mundo o quanto esse guri toca.
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