O Choro da Fênix
Não se conhecem de verdade. Se veem com frequência. Ele tem um compromisso a cada 21 dias que ela está lá de vez em quando. Para ele não há como descrever aquele sorriso que é quase um choro de inocência como um misto de uma princesa que está prestes a pular da torre e de uma boneca fadada a passar os seus dias dançando para um público que ela não gosta e nem conhece. Ele já conheceu toda a vida virtual dela e pôde perceber que ela apesar de muito tímida na realidade, deixa os seus sonhos mais fantasmagóricos voarem para longe no horizonte em forma de fotos e imagens que tão perfeitamente ela cria. Ele já tentou de diversas formas abordar algum tipo de comunicação com ela, mas nenhuma palavra sequer. Claro. Ele se torna tímido com como o mais feroz dos dragões frente a um mar agitado quando está na presença dela. No seu mundo, onde ele realmente existe de verdade, ele entende que o sorriso dela bloqueia qualquer tentativa de comunicação como um Firewall luta contra um acesso permitido. Ela nunca disse que não de fato. Mas ele nunca conseguiu realmente.
Agora este que vos escreve está aqui falando: tive um sonho repetidamente nas noites passadas com o casal da história acima. No sonho, tinha um dedilhado em notas menores tocando muito parecido com uma melodia muito parecida com a canção deste post. A cena se passava em um preto e branco que estava por falhar miseravelmente, como se fosse uma televisão muito antiga que está nas lembranças da casa da vó. Tem uma vitrine com uma mulher dançando vestida de balé realizando movimentos girando para a sua direita com o rosto levemente caído e uma expressão de desesperança por estar naquela prisão. Sim, a vitrine é uma caixa de vidro. O que a mantém viva é a sua própria dança. Ela está com uma tristeza na face, a ponto de chorar mas não chora, enquanto a melodia continua inapelável a tocar para que ela não pare nem por um um instante. Não há descanso, não há água ou intervalos, apenas o vazio de uma caixinha de vidro. O público? Um mágico de rua que pode atear fogo com as próprias mãos. Mas neste momento, usa o próprio choro para conter as chamas. Ele chora, porque quer salvar a bailarina mas não nada pode fazer. Então ele contempla, assiste, aplaude e chora incontrolavelmente ao que está se passando. A história termina, com um bruto suspiro levantado de cobertas ao meio da noite. Se você lembrar, isso ainda é um sonho deste que vos escreve.
- Do livro O Tempo e o Vento de Érico Veríssimo
"O homem é o lobo do homem."
Escravo não é aquele que não tem controle da sua própria liberdade, mas aquele que está preso ao mesma informação sobre tanta cólera presente no seu mundo.
E sim, ela é real. Eu nunca vou informar quem ela é, não sejam loucos.
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