Happy Hour

    E na minha playlist do Spotify (em uma delas pelo menos) hoje estava tocando Angel of Harlem do U2. Baita banda. Baita som de arrepiar o coração. Eu já disse nesse lugar que música boa é aquela que me emociona. Mas este som, é aquela música da parte do filme em que tudo está dando certo, sabe? Sabe quando aparece a bandeira do país atrás da pessoa, tem pessoas correndo felizes, sol radiante, contas pagas e tudo mais rolando. Neste momento, o melhor exemplo que eu poderia dar para explicar esse cenário de risos e completudes é o filme A Procura da Felicidade na cena que curiosamente é intitulada como: Essa parte da minha vida se chama felicidade.

    Tudo isso comentado acima, me levou a fazer uma reflexão partindo do pressuposto que felicidade vem do sucesso, partindo do preludio que felicidade é resultado de um acontecimento embarcado na vida. Pois bem. SE a felicidade é gozo de uma linha do tempo, é absolutamente necessário entender o que é sucesso. O que que precisa acontecer na vida, para que depois disso ou daquilo, venha a haver felicidade. Eu sinceramente, não tenho a menor ideia de porque que essas loucuras vêem a minha mente. Mas enfrentando o desprendimento de pensar em tudo isso, eu cheguei a conclusão de que para mim, felicidade é um atributo de momento. Porque? Porque refletindo sobre isso, eu percebi que eu não me movo para ter um lar aconchegante (que no meu caso é um AP), eu não me movo para ter dinheiro, eu não me movo para ter um carro (até porque eu to só de uber) e apesar de amar estar envolvido com a música eu também não me movo para ter qualquer instrumento que seja. A verdade gritante na minha reflexão, a obviedade do valor de felicidade para mim é ter o máximo de momentos felizes com as pessoas que eu amo, com as pessoas que jogam no mesmo time que eu, com as pessoas que Deus levanta ao meu redor para fazer a minha melhor e absolutamente mais feliz.

    Eu sempre tive um prazer absurdo e realístico em ajudar as pessoas. Não... pera aí. Na verdade, minha alegria não está em ajudar. O momento do sorriso, o sentimento de felicidade, a paz no coração vem logo depois de cumprir da menor a maior missão e perceber que aquilo fez diferença, ajudou, mudou a vida de alguém. Sobre isso, eu gostaria de compartilhar testemunho que aconteceu comigo (até porque se é testemunho, é óbvio que aconteceu comigo).

    Permita-me contextualizar contando que depois que eu entreguei a minha vida para Jesus, eu tenho aprendido a entregar todas as áreas da minha vida. E isso é gritantemente bom. Neste caso, o meu testemunho encontra lugar na área financeira. Sem mais delongas, a história é a seguinte:

    Eu estava saindo do meu trabalho, tarde da noite, indo em direção ao Carrefour com a cabeça em algumas opções do que poderia ser a minha janta. Chegando na entrada do shopping, um homem molhado, sujo com vestes feitas de um saco de lixo se aproxima de mim e diz: -Parceiro, eu to a três dias sem comer nada. Tu pode por favor me ajudar com alguma refeição? Em uma memória rápida, eu entendi que tinha R$ 18,00. Pedi a ele que aguardasse que eu o ajudaria. Comprei uns salgados, um doce e uma bebida. Deu R$ 17 e uns quebrados. Levei até ele, entreguei a sacola e aqui muitos diriam: -Seu trouxa, ele vai trocar por drogas! Mas não. Ele pegou o pacote e me peguntou: -O que eu posso fazer para te agradecer? E eu disse: -Quando tu tiver a oportunidade, não deixa de ajudar alguém. Ele sentou no cordão e começou a comer incessantemente na minha frente. 

    Eu moro perto de onde estava, fui pra casa a pé, tomado por um sentimento de felicidade por dois motivos:

    1) Eu tinha resolvido a fome de uma pessoa, por perceber que R$ 18,00 não mudaria a minha vida, mas mudou grandemente a semana de outra.

    2) Era dia 22 do mês em questão, e aquela era a grana que eu ainda tinha no mês. Mas eu tava feliz, porque eu sabia que Deus ia dar o que ainda precisava. Afinal, isso é entregar, não é?

    Agora, voltando a reflexão que deu início a esse texto, teve um acontecimento que gerou felicidade e depois disso, eu sou absolutamente sincero em dizer que é por essas coisas que eu me movo, porque eu não comprei a minha janta naquela noite. Eu não jantei naquela noite. Mas eu estava completamente feliz.



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